Há ou À?! Mais confusões com as formas do verbo haver!

 

 

 

 

 

 

 

 

O verbo haver, como já viste em artigos publicados anteriormente, é um dos verbos mais maltratados da língua portuguesa. Assim, na rubrica de hoje, vamos ajudar-te a ultrapassar outra dúvida recorrente acerca deste verbo.

Como é que se diz:

  1. Não ligo o computador dois dias OU Não ligo o computador à dois dias?
  2. vírus neste computador OU À vírus neste computador?

A opção correta, em ambas as frases, é a primeira. Sabes porquê?

Porque, nas frases acima, é uma forma verbal do verbo haver, tendo o sentido de:

  1. tempo decorridoNão ligo o computador dois dias.
  2. existir vírus neste computador.

A diferença entre e à é, pois, muito simples de explicar:

 – é uma forma do verbo haver;

À  é uma contração da preposição a com o artigo a.

Como vês, não há nada que enganar! Mas… será que isto é suficiente para perceberes quando deves usar uma forma ou outra?!

Aqui vai outra ajuda:

Quando dizes Não ligo o computador dois dias, estás a dizer que já passaram dois dias desde que não ligas o computador, utilizando o verbo haver para traduzir esse sentido.

Quando dizes tulipas no jardim, estás a dizer que existem tulipas no jardim.

Retém, pois, as dicas abaixo:

Dica 1: Para saberes se deves usar ou à, podes usar, em substituição de haver, os verbos passar ou existir, para traduzir a mesma ideia. Se o sentido se mantiver, deves escrever a forma do verbo haver (há).

Dica 2: Por norma, à aparece sempre depois de um verbo (1) ou a introduzir um elemento móvel na frase (2):

(1) Vou à internet fazer uma pesquisa.

(2) À noite, as festas são mais divertidas.

Por último, presta atenção a este pormenor importante:

tem acento agudo (´) e à tem um acento grave (`).

É fácil, não é? Claro que sim!

Para bem falares e bem escreveres, não percas o próximo artigo deste Sem Pontapés na Gramática.

Até à próxima e… cuidado com a língua!

As professoras,

Ana Gameiro e Clara Neves

“obrigado” ou “obrigada”?

Diz-se obrigado ou obrigada?

O vocábulo obrigado corresponde ao particípio passado do verbo obrigar, um adjetivo que, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências, é definido como “que tem uma dívida de gratidão para com alguém”, podendo ser sinónimo de agradecido, grato ou reconhecido.

Enquanto forma de agradecimento, a palavra obrigado deve concordar em género e número com o sujeito que agradece:
obrigado, se se tratar de um sujeito masculino;
obrigada, se se tratar de um sujeito feminino;
obrigados, se se tratar de um sujeito masculino plural;
obrigadas, se se tratar de um sujeito feminino plural.

Por fim, e apesar de a palavra obrigado ser frequentemente usada como interjeição de agradecimento, ou seja, a sua forma é invariável (sempre obrigado) independentemente do sujeito falante, esse uso não é recomendável.

Para bem falares e bem escreveres não percas a próxima rubrica de Sem Pontapés na Gramática.

Até para a semana e… cuidado com a língua!

As professoras,

Ana Gameiro e Clara Neves

“Foram eles quem marcaram” ou “Foram eles quem marcou”?

Quem nunca ouviu relatos desportivos onde o locutor dizia “Foram
Fulano e Cicrano quem marcaram os golos.”?
Ora, o uso do pronome quem exige o verbo na 3.ª pessoa do singular,
não porque o verbo seja impessoal (que não é), mas porque o pronome é
de 3.ª pessoa.
Assim, dir-se-á corretamente “Foram eles quem marcou os golos.”,
“Fostes vós quem afirmou isso.”, “Foram eles quem assegurou tal
coisa.”, “Somos nós quem declara paz.”, MAS “Somos nós que
declaramos paz.” Aqui, o verbo concorda com o antecedente do
pronome que (nós), indo para o plural.

Para bem falares e bem escreveres não percas a próxima rubrica de Sem Pontapés na Gramática.

Até para a semana e… cuidado com a língua!

As professoras: Clara Neves e Ana Gameiro