Filosofia para crianças: 12 Passas, 12 perguntas e um desafio para 2016

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As crianças e jovens com quem trabalho já sabem… qual a presença constante nas nossas sessões: perguntas. Muitas das crianças ainda não sabem o alfabeto, mas já sabem o que é um ponto de interrogação, ou melhor, o sinal das perguntas e do pensar. De facto, trabalho com perguntas. Digo muitas vezes que gosto de as colecionar, guardar, emprestar, oferecer, dar – tal como se fossem coisas físicas que podemos levar no bolso e partilhar com alguém. O meu trabalho consiste em construir e desconstruir essas perguntas, em grupo, investigando as suas possíveis respostas. É isso que fazemos nas nossas sessões de filosofia. Porque felizmente há um espaço na escola, onde o aluno não é premiado pela resposta certa, mas valorizado pelo seu acto de pensar. Se no final do ano demos corpo ao pensamento, procurando construir uma Caixa da Filosofia, onde pudéssemos guardar os percursos da nossa investigação. Em2016, eu não sei como vai ser o ano, mas de certeza que começará com muitas perguntas que nos lançam em novos desafios. Por isso, está lançada a tarefa de construir uma Caixa de perguntas e assim sendo, gostaria de partilhar convosco algumas perguntas deixadas por estes pequenos filósofos. Algumas delas são fruto da troca de ideias e partilha entre todos nós:

12 perguntas para 2016 (e para toda a vida?)

  1. A filosofia foi inventada ou descoberta?
  2. Qual a diferença entre dar razões e dar boas razões?
  3. O que é a filosofia?
  4. Por que é que nos obrigam a comer lulas?
  5. Por que é que eu sou eu?
  6. É possível deixar de pensar?
  7. O Nada é já alguma coisa?
  8. Por que é que não podemos andar para trás, no tempo?
  9. Por que é que existe o mundo?
  10. Qual é o sentido da vida?
  11. Haverá mentiras boas?
  12. O que é ser tratado como uma pessoa?

Deixo-vos o desafio de pensar e de perceber se estas perguntas vos incomodam ou não. Se tiverem esse efeito, suspeito que serão perguntas importantes para vós e já sabem podem sempre partilhá-las connosco.

Até à próxima, para conversas de ‘gente grande’, desejando a todos vós um Bom Ano.

Prof. Renata Sequeira

Em Abril, ideias mil: “O lado profundo de um douradinho”

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(Clica na foto para veres a reportagem completa.)

Regressados das férias da Páscoa e com as ideias a fervilhar, hoje o tema da conversa filosófica partiu de um douradinho, um peixe de plástico, uma maçã e um boião de fruta. Sim, porque nem tudo o que parece é, e se há coisas difíceis de desvendar é a verdade.

– “Parece peixe, mas não é.” P.S.

– “Não é maçã por fora, mas é por dentro.” G.M.

– “Há coisas que são e outras não.” M.

– “Lá dentro do douradinho é peixe.” B.

– “Tem forma de peixe mas não é peixe.” V.

– “Porquê?” R. S.

– “Porque não é verdadeiro.” L.

– “E como sabemos a verdade de uma coisa?” R. S.

– “Isso é um mistério”. P

E assim caminhámos do douradinho para a realidade profunda, a que não muda consoante os olhares e as circunstâncias. A que se dá a conhecer na gestualidade do ser e que é percetível ao olhar destas crianças da forma mais autêntica.

Eu, deixei-me tocar pela genuinidade da vivência destas crianças e mais uma vez saí surpreendida e orgulhosa pela sua capacidade de dialogar filosoficamente. O meu espanto tem sido infindável. E quanto ao mistério da Verdade, este apesar de complexo não mete medo a esta comunidade, prontos para questionar, pensar em conjunto, voltaremos a grandes descobertas: Saberemos, realmente, o que uma coisa ou pessoa é? Como posso saber verdadeiramente?

Até à próxima, e em que muito temos a aprender com estes pequenos grandes pensadores.

Prof. Renata Sequeira