Fomos a Mafra


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A pré-leitura de cerca de quinhentas páginas da obra “Memorial do Convento”, de José Saramago, possibilitou, no imaginário dos alunos das turmas A e B do 12º ano de escolaridade, no dia vinte e um de novembro, a recriação de um grandioso palácio, construído por gente pobre em bens materiais mas rica em bens do coração, pobre em conhecimentos mas rica em sabedoria.

“Era uma vez um Rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez”…

Chegados, então, à vila de Mafra, confirmou-se a monumentalidade do convento, tão grande que nenhum par de olhos ficou indiferente ao poder e respeito transmitidos por esta “desproporção”. À entrada da basílica, sentimo-nos pequenos devido à magnitude do monumento, concebido à custa dos muitos trabalhos e infinitos sacrifícios daqueles que só hoje são vistos como verdadeiros Heróis, os verdadeiros construtores da História.

A encenação da obra, posta em palco pela companhia de teatro Éter enfatizou a caracterização/caricatura ridicularizada de D. João V, não como “construtor” de Mafra, mas como construtor de miniaturas, que ocupa os seus ócios e demonstra as suas habilidades, “ sem esforço, sem canseira, sem riscos”. Aqui é também fielmente retratada a história de amor, verdadeiro e eterno, entre Baltasar e Blimunda, bem como o desejo do Padre Bartolomeu de Gusmão “que queria voar” na Passarola, objeto construído a partir da partilha de saberes e da colaboração entre personagens de classes sociais distintas: Bartolomeu Lourenço (nobreza/clero), Baltasar e Blimunda (povo) e Scarlatti (nobreza).

Tal como José Saramago, com esta visita pudemos concluir, in loco, que a construção do Convento de Mafra, apesar de ter contribuído para o enriquecimento do País, originou o sofrimento de um povo, tratado como um objeto, que obedecia às ordens e caprichos do rei, aquele que sacrificou todos os homens válidos e a riqueza do país na construção do “seu” Convento de Mafra.

Prof.ª Isabel André e os alunos de Português do 12º Ano

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