Como muitos outros cidadãos do mundo ocidental, os ingleses têm a tendência a dizer que a semana de trabalho lhes deixa pouco tempo e pouca energia para o divertimento.
Mas a sociedade inglesa mudou muito desde os primeiros anos do século XX, onde a maior parte da população trabalhava, no mínimo, 60 horas por semana!
Hoje, muitos ingleses terminam o trabalho às 17:30h ou às 18:30h e podem dispor de longos serões e de todo o fim de semana para se dedicarem aos seus passatempos preferidos.
Os ingleses não se deixam consumir pela televisão. Para satisfazer os seus gostos e necessidades há uma indústria do tempo livre florescente e notavelmente criativa.
A jardinagem e a horticultura constituem o principal passatempo inglês, um modo de vida, uma maneira de escapar à azáfama do quotidiano e uma filosofia prática que supera qualquer diferença social e económica.
Não há nisto nenhuma novidade, pois já nos princípios do século XVII, um apaixonado de jardinagem confessava: “Nunca desejei outra coisa mais ardentemente que possuir, por fim, uma pequena casa e um grande jardim e consagrar o resto da minha vida a cultivá-lo e a estudar a natureza.”
Um grande número de pessoas no Reino Unido segue hoje os programas de jardinagem e horticultura transmitidos pela rádio e pela televisão, assiste às conferências organizadas pela Sociedade Real de Horticultura, visita os muitos parques abertos ao público e enche as exposições de flores em todo o país.
Os ingleses preferem as vivendas aos apartamentos e, por isso, muitas casas têm, pelo menos, um pedacinho de terreno ou uma faixa de relva nas suas propriedades.
Deste modo, o grande passatempo nacional é um exercício prático e uma consciente valorização de uma das criações mais nobres do homem.
As professoras: Sílvia Ramadas e Ana Gameiro