Dezassete de Março de mil novecentos e noventa e quatro, o mais importante dia da minha vida, o dia em que começa a ser traçado o meu destino. Mas porque razão haveria eu de ter a sorte ou o azar de chegar a este mundo onde o ódio e o rancor são reis? Porque haveria de ter ganho o dom da vida após ter ganho a maior e mais frenética corrida que alguma vez tivera?
Inconscientemente vivi toda a minha infância na proteção dos meus pais sem saber o que se passava no resto do mundo, os problemas, a guerra, o sangue derramado, as mortes demasiadamente desnecessárias. O mundo e estes atos passavam-me ao lado e, por isso, era feliz.
Tudo na minha cabeça começa a ser mais claro, começo a perceber que a vida não é um mar de rosas. É sim um poço de tristeza e escuridão, em que apenas tentamos esconder esta dura realidade. Porquê? Não sei… talvez por, tal como refere Fernando Pessoa, nos querermos tornar inconscientes conscientemente.
Tento descobrir quem sou e o que faço neste mundo perdido. Cada vez se adivinham maiores dificuldades… terei capacidades para as enfrentar? Talvez, só após o conhecimento do meu eu serei capaz de responder. O mundo torna-se mais competitivo e com menos espaço para triunfarmos na vida.
Contudo, e farto desta vida, corro em frente ultrapassando ou contornando todos os obstáculos que me atormentam ganhando ou não apenas mais uma corrida. Se sei quem sou?! Nem por isso. Não é nada que me importe. Apenas sei que, feliz, agarro o meu caminho e sigo em alta velocidade numa auto-estrada para o inferno… os meus amigos vão lá estar.
João Martins nº10 12ºA
(no âmbito da disciplina de Português)