Quem serei eu?

Quem serei eu? Serei as pegadas que deixo no caminho que piso? Serei as impressões digitais que deixo em tudo o que toco? Serei aquilo que deixo na memória das pessoas ou apenas um nome numa lápide de alguém que foi mais que pó um dia?

Sou o bebé adorado da mamã e do papá que rapidamente cresceu e se tornou na criança que ainda há uns dias brincava à apanhada com os amigos. Sou a menina animada do ontem que voava no baloiço sob o olhar atento do avô. Sou os Pokémons, a Heidi e o Marco pois, afinal, não somos nós aquilo que vivemos?!, então sou isso, sou a infância feliz que vivo em recordações. Sou a menina que preferia a bola às bonecas e que percebeu graças a estas a sua primeira vocação, cabeleireira.

Sou a criança curiosa que descobriu que era o avô quem comia as bolachas do pai-natal e que, puxando-lhe as barbas pensando ser pai-natal, descobriu que afinal era ele.

Sou o adeus enevoado pelas lágrimas, o primeiro punhado de terra sobre o caixão de um ente querido. Sou o meu primeiro amor, o coração a acelerar com o primeiro beijo e a quebrar com o último. Sou o sorriso tímido de algumas horas e a gargalhada estridente de outras.

Não sou… Não sou a pessoa que baixa a cabeça perante um desafio e muito menos aquela que rotula missões como impossíveis; sou sim a rapariga que se levantou perante a multidão e defendeu com garra a sua opinião, aprendendo no momento que uma vez que soubesse argumentar não precisaria mais de ter razão.

Sou aquela que sabe quem quer na vida mas não o que quer da vida, que tem definidos os seus ideais mas não consegue escolher o que vestir.

Sou o ser humano que deixou de olhar somente o seu umbigo e passou a olhar para e por aqueles que precisam. Empurrar uma cadeira de rodas, dar comer à boca de alguém que não tem destreza para tal, mimar uma criança abandonada, sou mulher.

Sou os jantares com a família e as jantaradas com os amigos. Sou a lealdade das nossas amizades e a batota das nossas “jogatanas”.

Para mim o ser resume-se a momentinhos e não a Momentos por isso fui aquilo que era e continuo a ser, pois sou aquilo que o “fui” fez com que seja.

 

Inês Sofia Alves Lourenço

Nº9  12ºA

(no âmbito da disciplina de Português)

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