Que a vida é um risco, já todos sabem. Mas onde realmente se encontram, nem sempre nos apercebemos, ou pelo menos numa sociedade alienada pela imagem, pela tecnologia, pelo poder da informação, pela fugacidade do tempo e tantas outras formas de alienação, faz com que não haja uma verdadeira consciência dos riscos que incorremos no nosso dia-a-dia. Os jovens de hoje são supostamente mais informados que os de outrora, porém, julgo que existe muito ruído na nossa sociedade. E nem sempre porque há muita informação há um maior conhecimento. A juventude de hoje é bombardeada com excessiva informação e esta não é mais do que ruído para as suas consciências. Não sabem ser selectivos, porque não sabem o que querem e por isso não reconhecem o perigo. Vivem num ‘emaranhado’ de ofertas e perante uma sociedade que não lhes oferece referências, dada a ausência ou pobreza de valores existentes, sentem-se desnorteados e sem saber por onde ir. A escolha torna-se um processo difícil.
Começo por referir o perigo da informação, os jovens de hoje têm acesso à informação com excessiva facilidade, e nem sempre a sabem digerir, nem sempre têm pais presentes que os acompanhem e contribuam para uma boa compreensão da mesma. O importante é os filhos acompanharem o avanço das tecnologias, porque os outros têm, porque está na moda, porque já não se faz nada sem eles. A tecnologia domina a actualidade e manipula as nossas vidas. E daí o computador pessoal, o telemóvel, i-phone, o i-pod, o i-tunes, uma geração de is, ou ‘ais’ enquanto: Ai que geração esta! Geração que todos nós enquanto sociedade estamos a construir, acabando por lançá-los num mundo desconhecido, mas empolgante e por isso mais perigoso se torna. O computador, a televisão, o telemóvel, mas nem por isso as famílias, a sociedade, as pessoas estão mais ligadas, mais informadas, mais consciencializadas dos perigos. Muitos não vêem com maldade, esta revolução tecnológica que mais parece um prolongamento da Revolução Francesa, promovendo ideais de liberdade.
Outros perigos invadem o dia-a-dia dos nossos jovens, o consumo de álcool, drogas e tabaco. A luta contra o seu consumo não pode ser feita isoladamente, nem depende das medidas restritivas decretadas a nível familiar, a luta é muito mais vasta e abrangente, porque o consumo abusivo de todos estes produtos, não é a causa, mas a consequência de um conjunto de factores de instabilidade psico-social e emocional do jovem.
O jovem não passa de uma ave que não sabe como voar, mas ninguém a ensina a voar correctamente, por isso, voa descoordenadamente, colide com obstáculos de natureza diversa, e nada lhe garante, que vá realmente aprender a voar em liberdade.
Porque quanto mais livres somos, mais perigos corremos, mas também mais responsabilidade nos é exigida, por isso há que saber orientar os nossos jovens segundo valores que mais parecendo do antigamente, são neste momento cada vez mais imprescindíveis para que voltemos a crescer como pessoas, como sociedade, como humanidade.
A virtude da prudência, da justiça, da ética dão lugar a um discurso do direito e da economia que invadem o nosso modo de ser e estar na vida, ainda que de forma inconsciente. Paremos um instante! Neste instante… e que o ruído com o qual somos diariamente invadidos dê lugar ao silêncio e à introspecção e possamos reflectir sobre que Homens e Mulheres queremos no futuro.
Texto: Prof. Renata Sequeira