O Prémio Nobel da Medicina de 2010 foi entregue ao embriologista Robert Edwards pelo trabalho realizado em prol da Fertilização in vitro (FIV). O prémio Nobel da Medicina receberá perto de 1,09 milhões de euros, numa cerimónia que decorreu a 10 de Dezembro de 2010, em Estocolmo.
Robert Edwards foi investigador na Universidade de Cambridge e trabalhou no desenvolvimento da fertilização in vitro, que permitiu a milhões de casais terem filhos. A técnica desenvolvida por Robert Edwards permite fertilizar os óvulos fora do organismo e depois recolocá-los no útero da mulher. A FIV esteve na origem do nascimento em segredo do primeiro “bebé proveta”, a britânica Louise Joy Brown, actualmente com 32 anos, no Hospital de Oldham, no Reino Unido.
De forma breve, a técnica desenvolvida por Robert Edwards consiste em: os óvulos e os espermatozóides são colhidos e colocados numa placa de laboratório para a fertilização. Inicialmente são administrados medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento de óvulos tanto quanto possível. Posteriormente os óvulos são colocados em contacto com os espermatozóides para promover a fecundação. O óvulos quando fertilizados são colocados no útero da mulher e seguir o normal desenvolvimento do embrião até ao nascimento.
O primeiro é o conhecido ponta-de-lança do Sporting Clube de Portugal, Carlos Saleiro, que nasceu graças às investigações iniciadas pelo doutor Robert Edwards. O nascimento do “bebé-proveta” português, foi acompanhado por um jornalista, desde o início do processo em 1985, este seguiu todos os passos do médico Pereira Coelho na aplicação da primeira FIV em Portugal, desde a fertilização do óvulo, passando implementação do óvulo fecundado no útero da mãe até ao nascimento do bebé, tudo foi registado e até filmado. A 25 de Fevereiro de 1986, pouco tempo depois da cesariana, o pai de Carlos Saleiro comunicava na televisão que tinha nascido um rapaz saudável e que já era sócio do clube leonino. Esta história veio à memória com a entrega do prémio Nobel ao Doutor Robert Edwards, que laçou nos últimos 30 anos de reprodução medicamente assistida, assim é considerado o pai da FIV. Robert Edwards é considerado um visionário, pois com a sua técnica já permitiu conceber quase 4 milhões de crianças.
Mas nem tudo foi um mar de rosas, Robert Edwards conta numa retrospectiva publicada na Revista “Nature Medicine” em 2001 que as suas primeiras ideias surgiram no doutoramento em Edimburgo, nos anos 50. Mas em seguida vieram algumas frustrações: Não havia óvulos para as experiências, os ciclos de tratamentos não funcionavam e persistiam as barreiras éticas. Mas tudo se resolveu graças ao avanço da tecnologia e a abertura de algumas mentes que compreenderam que tem de haver alguns sacrifícios para o avanço da Ciência.
Professor Abel Costa