I CONCURSO LITERÁRIO

8º ano 1º Prémio

Um sorriso

Eram seis horas da tarde de dia vinte e três de Dezembro, e o Miguel entrava em casa vindo do parque, onde sozinho fora brincar, já que eram muito poucos os amigos que tinha. Espreitando através da fisga da porta, o rapaz de olhos castanhos como o chocolate, observou os seus pais, que conversavam com ar sério e ao mesmo tempo triste:
– A nossa situação está mesmo muito complicada. Coitadas das crianças. Nós nunca tivemos um Natal recheado de prendas para os meninos, ou uma Consoada com peru e bacalhau, mas este ano vai ser o pior de todos.
– Tens toda a razão, mas podemos tentar resolver isto, ou pelo menos disfarçar à frente dos miúdos.
Miguel, ouvindo isto, não conseguiu conter que uma gota de água salgada escorresse pela sua face, lembrando-se dos seus colegas de escola, que falaram o mês inteiro sobre caros presentes e a sua grande família à volta de uma mesa requintadamente decorada para a ocasião.
Na manhã seguinte, o céu estava muito nublado, impedindo o sol de espreitar, e o vento gritava sem descanso. O rapaz levantou-se num pulo, ainda cedo, e foi dar um passeio pelo bairro, deixando o resto da família a dormir. No caminho, Miguel encontrou Jeremias, seu conhecido e amigo de seu pai, um velhote simpático de uma sabedoria imensa, que todos os dias sorria às criancinhas que passavam em frente ao prédio, cuja entrada era o seu abrigo. Miguel nunca tinha percebido bem como é que uma pessoa sem um tecto, agasalhos ou uma família, conseguia encarar a realidade com aquele sorriso na cara, mas não achou que o momento fosse o mais indicado para fazer tal pergunta. No entanto, Jeremias respondeu-lhe:
– Sabes, Miguel, a vida nem sempre é um mar de rosas e muitas vezes tenta deitar-nos abaixo, mas ela é muita curta e não podemos deixar que isso aconteça. Todas as pessoas se perguntam como é que alguém como eu consegue viver assim e continuar alegre?! A mim, o que me mantém vivo por dentro, são os sorrisos que aquelas crianças retribuem todos os dias e o brilho de felicidade que os seus pequenos olhos me transmitem. Nunca te esqueças disto: o amor e o carinho são o mais importante de tudo.
Miguel, sem encontrar palavras para responder a tão sábia afirmação, simplesmente sorriu e continuou o seu caminho. Chegou a casa, já os pais e os irmãos estavam de pé, à sua espera para almoçar.
Durante toda a tarde, não conseguiu deixar de pensar no que o velho Jeremias lhe tinha dito, concluindo sem demora que ele tinha razão.
Chegada a hora da Consoada, a família reuniu-se à volta de uma pequena mesa, que suportava uma travessa com pescada. Todos estavam tristes, excepto Miguel, que rematou:
– Não importa aquilo que hoje comemos ou onde comemos, mas sim com quem o fazemos. Tal como alguém me disse: o amor e o carinho são o mais importante de tudo.

Ana Martins – 8º C

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